Acho que antes de mais nada precisamos superar o misticismo e a superstição para tratar do tema com normalidade. Em Eclesiastes 7:4 lemos que o coração do sábio está na casa do luto, enquanto o coração dos tolos está na casa da alegria — ou, como costumo lembrar, o sábio pensa com frequência na morte, enquanto o tolo só pensa em diversão.
Escrevo isso depois que uma amiga perdeu a mãe para uma doença cardíaca. Durante o tratamento houve melhora clínica, mas a recuperação não veio — um lembrete de que a vida é imprevisível, por mais que a gente queira controlar tudo.
Vivemos absortos em agendas, planejamentos e projeções de futuro, como se a morte fosse um detalhe distante que não nos diz respeito. Convido você a parar e refletir não só sobre a própria morte, mas sobre a possibilidade de perder quem você ama.
Como você reagiria diante de uma perda profunda? Você seria amparo para alguém, ou precisaria ser amparado? Pode ser desconfortável pensar nisso — mas o desconforto não torna essas possibilidades menos reais.
Defendo que pensar sobre esses cenários com antecedência amplia a nossa capacidade de lidar com eles quando — não se, mas quando — eles chegarem. Se quiser ir além, recomendo a leitura de 'A Morte de Ivan Ilitch', de Tolstói.
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